Ano

Relatório de Vindima 2018

As condições climatéricas no Vale do Douro, e em Portugal, continuam muito instáveis e imprevisíveis.
Este panorama reflectiu-se no ano agrícola de 2017/18, com períodos de seca, chuva prolongada, picos de calor, e tempestades localizada de granizo durante o Verão.
Tivemos, portanto, um ano muito diferente do normal e muito desafiante em termos técnicos!

Em termos de precipitação, os valores registados - Novembro 2017 a fim Setembro 2018 - foram no Baixo Corgo 804.2mm que comparam com uma media anual de 848.9mm; No Douro Superior registaram-se 511.4mm, que comparam com uma media anual de 534.9mm.
Apesar de não se verificarem grandes variações face a´ media , a distribuição ao longo do ano foi muito atípica: o fim do ano de 2017 prolongou o estado de seca que vinha dos 2 anos anteriores, até Fevereiro de 2018; Março foi um mês muito chuvoso, e embora Abril e Maio tenham sido razoavelmente normais em termos de precipitação médias, existiram fortes tempestades localizadas; em Junho voltou a chover de forma extraordinária para a época!
Este contexto, agravado pela queda pontual de granizo, foi motivo de preocupação generalizada para os Viticultores do Douro, pois criou condições para infecções tardias de míldio, causador, em alguns casos, de fortes perdas de produção.

Em Agosto os acidentes climatéricos continuaram, desta vez com períodos de forte calor -temperaturas máximas a passar os 45ºC e médias na ordem dos 33ºC - que provocaram escaldão em muitas vinhas (período de 2 a 6 de Agosto).
Também neste mês novas tempestades localizadas, com queda de granizo, tendo uma das quais (22 de Agosto) atingido algumas vinhas da Quinta do Vallado, no Douro Superior.

Excluindo estas tempestades localizadas, Julho, Agosto e Setembro foram meses muito quentes e secos, não tendo sido registada, durante a época da vindima, qualquer precipitação digna de registo, tendo esta decorrido quase sempre com temperaturas máximas a passar os 30ºC. Apesar dos dias quentes, as noites foram em Setembro bastante frescas, o que contribuiu fortemente para a qualidade das uvas e dos vinhos.
Agosto de 2018 foi o 2º mês de Agosto mais quente (a seguir a 2003) desde 1931 e o dia 4 de Agosto foi o dia mais quente do Sec. XXI.
Setembro de 2018 foi o Setembro mais quente desde 1931.
Quanto à evolução da vinha, ao longo do ano o ciclo vegetativo da videira atrasou-se muito, tendo a vindima começado a 28 de Agosto, com 20 dias de atraso em relação a 2017 e 10 dias em relação ao normal, prolongando-se até dia 7 de Outubro. Quanto à produção e qualidade das uvas, e depois de um ano tão acidentado, é importante constatar mais uma vez que a diversidade e complexidade da região do Douro mais uma vez foram fatores positivos e protetores: apesar de existirem locais e castas que sofreram com os acidentes climatéricos do ano, muitas vinhas produziram bem e com uma qualidade óptima! Resumindo, podemos afirmar que após um início de vindima com muita apreensão, devido à expectativa geral de baixa produção, os brancos com que iniciamos a colheita cumpriram e excederam as nossas expectativas-em termos qualitativos e quantitativos, tornando-se um óptimo incentivo para a continuação da vindima de 2018;
No entanto, com o início da vindima dos tintos confirmaram-se os receios de que iria haver uma significativa redução da produção, que poderá rondar em média os 30%. No caso da Quinta do Vallado (Régua) tivemos uma quebra de 8% em relação à média dos últimos 10 anos (essencialmente devido ao forte escaldão nas castas mais sensíveis, como o Sousão);
se acrescentarmos as vinhas no Douro Superior, e essencialmente devido à queda de granizo e escaldão, a quebra passa globalmente para 15%.
Algumas castas comportaram-se extraordinariamente bem em 2018 como é o caso da Touriga Franca, que irá produzir alguns dos melhores vinhos do ano; também as vinhas velhas produziram uvas de extraordinária qualidade.

Globalmente, os vinhos brancos irão ser excelentes, com um teor alcoólico inferior ao normal, boa acidez e muito frutados.
Os tintos serão muito concentrados, com excelente cor, e boa acidez, elegantes e muito equilibrados.

As expectativas para os Portos são também muito elevadas.

João Ferreira Alvares Ribeiro

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