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Relatório da vindima

2025

O ano vitícola de 2024/2025 foi marcado por temperaturas sistematicamente acima da média e registos de precipitação inferiores à Normal Climatológica, considerando-se um ano seco e extremamente quente. As chuvas concentraram-se sobretudo em janeiro, março e abril, enquanto o período subsequente, de junho a agosto, relevou-se por uma seca prolongada e calor intenso. O Inverno foi quente e seco, e embora março tenha sido mais frio do que a média e do que os anos anteriores, a Primavera foi genericamente quente e irregularmente chuvosa; o Verão foi extremamente quente e seco e o período de vindima em setembro, decorreu sob condições favoráveis, mais frescas e sem chuva. Em síntese, 2025 foi caraterizado como extremamente quente e seco.

PRECIPITAÇÃO

Na Quinta do Vallado – Régua de novembro 2024 a fim de outubro 2025 choveu 668mm - que compara com 848.9mm como média de 30 anos: -21%. Janeiro e março foram os meses mais chuvosos bastante acima da média, abril manteve-se acima da média, mas menos acentuado, e os restantes meses foram bastante menos chuvosos tendo sido quase nula durante o período de vindima.

No Orgal em Foz Coa, no período Nov 24 a fim de Out 25 choveram 474mm, comparáveis com 534.9mm da média no período homologo (-11%), com um padrão semelhante ao da Régua. Apenas de diferenciar abril como o mês em que choveu proporcionalmente mais em relação à média (+70%) fazendo com que, até fim de abril, existissem valores de precipitação perto da normal climatológica. Em maio ainda choveu de forma normal, mas a seca foi-se acentuando de junho a setembro: neste período choveu -70% do que a média, não tendo chovido durante a vindima.

TEMPERATURA

2025 foi um ano extremamente quente. Embora em março se tenha sentido muito frio, a partir de maio, na Régua, a temperatura foi sempre superior aos anos anteriores (e muitos já tinham sido extraordinariamente quentes) e sempre superior à média, com destaque para junho, +2ºC do que a média e por exemplo, + 4,64ºC do que 2019. Em contrapartida, setembro, o grande mês da vindima foi mais fresco do que a média.

No Orgal o padrão foi semelhante, à exceção de março e abril. Foi sempre mais quente do que a média. Junho e agosto foram os meses que mais se desviaram do normal, com +2,7ºC e +3,3ºC do que a média (até agosto existiram muitas ondas de calor com impacto significativo na vinha). Em Setembro foi um mês mais fresco.

Desde que a Quinta do Vallado tem registos climáticos próprios – 2010 – o período de junho a agosto de 2025 foi o mais seco e quente de sempre.

EVOLUÇÃO DA VINHA E VINDIMA

No início do ciclo vegetativo e princípio da primavera, temperaturas mais baixas e humidade no solo, foram propícias para que existisse um atraso no desenvolvimento da vinha, mas a partir do fim de maio, sentiram-se as altas temperaturas associadas e ondas de calor até à última semana de agosto e quase total ausência de precipitação.

Neste contexto, até junho a preocupação foi defender a vinha de doenças como o míldio, e a partir deste mês a preocupação passou a ser a possibilidade de escaldão, que efetivamente se verificou em junho em algumas vinhas, ainda que de forma residual. Com o passar do tempo, embora as uvas já estivessem mais aclimatadas e, portanto, não se repetissem danos provocados por escaldão, a videira esteve sujeita a variadíssimos stresses abióticos - exposição solar excessiva, altas temperaturas e diminuição de reserva de água no solo - o que conduziu a uma quebra de produção, nomeadamente por pequeno crescimento / desenvolvimento dos bagos de uva. Ainda assim as uvas tiveram um excelente comportamento perante estas adversidades e praticamente não se verificaram fenómenos de sobrematuração. A vindima também se precipitou, tendo iniciado na Régua a 12 de agosto com as parcelas de Moscatel e no Orgal, a 22 de agosto com a Baga, mas depois, fruto de um setembro fresco e sem chuva, a vindima decorreu pausadamente até ao seu fim, a 26 de setembro.

 

VINHOS 

O resultado são vinhos de excelente qualidade e notável equilíbrio, apresentando uma qualidade acima da média especialmente no caso dos Tintos e dos Vinhos do Porto.

Os vinhos de 2025 apresentam grande intensidade: cor profunda, aromas frutados expressivos, estrutura marcante e bom volume de boca, sendo também vinhos muito equilibrados.

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