Relatório da Vindima

2019

Contrariamente ao que tem sido hábito nos últimos anos, as condições climatéricas desde a última vindima foram relativamente estáveis, o que proporcionou um ano agrícola sem grandes sobressaltos e imprevistos. Excepção a esta ‘normalidade’ foi a baixa precipitação, que mais uma vez afectou o Vale do Douro.

Precipitação

Depois de um fim de vindima seco e quente em 2018, em Novembro choveu quase o dobro da média. No entanto, os meses seguintes foram muito secos e chegamos à Primavera de 2019 com menos 20% de precipitação no Baixo Corgo e menos 25% no Douro Superior. No período seguinte, apesar de Abril ter sido chuvoso e de em Maio a temperatura ter sido ligeiramente acima da média, genericamente tivemos um ano mais fresco e muito seco, ficando no fim de Setembro fixado o desvio em relação à media da precipitação, em menos 19% no Baixo Corgo e em menos 34% no Douro Superior.

De Novembro a Setembro, no Douro Superior, a média de precipitação é de 489,4 mm e este ano foi de 321,8 (em 2017, um dos anos mais secos de sempre foi de 313,4 mm). No Baixo Corgo em igual período a média é de 755,4 mm que compara com 616,4.

Sol

As temperaturas registadas foram ligeiramente abaixo do normal, com as máximas sempre abaixo dos valores dos últimos anos, e com especial relevo para Junho, que foi de facto um mês muito fresco em relação à média. Os picos de calor não foram exagerados, mas ainda assim, e apenas em Julho, causaram algum escaldão em castas sensíveis como o Moscatel ou Sousão. Agosto e Setembro registaram condições muito favoráveis para a vindima, com temperaturas normais e amenas, noites frescas e ausência de chuva.

Estas condições favoráveis foram particularmente apreciadas depois dos excessos verificados nos verões dos últimos anos.

Evolução da Vinha

O lado positivo da baixa precipitação foi a muito fraca incidência de infecções e doenças na vinha.

O bom estado sanitário geral das vinhas, no Douro, associado à precipitação elevada no ano anterior, e consequente alto nível de reservas de água, no solo, permitiu um significativo aumento de produção, que voltou assim a valores próximos das médias históricas, e foi superior à registada nos dois últimos anos.

Na Quinta do Vallado, na Régua, a produção foi 17,5 % superior ao ano anterior.

 As vinhas do Douro Superior, na Quinta do Orgal, muito castigadas nas últimas campanhas, por incidências climáticas muito adversas, tiveram em 2019 um comportamento muito bom, apesar do ano extraordinariamente seco (quase duplicaram a produção em relação a 2018 e aproximaram-se muito dos valores de 2015 que foi um ano de excelente produção).

A vindima na Quinta do Vallado, na Régua, começou no dia 21/8, com os suspeitos do costume: Moscatel seguido pelo Gouveio, e terminou a 4 de Outubro com o Sousão.

 No Douro Superior a vindima começou no dia 2 de Setembro, e terminou no fim de Setembro.

Vai ser um grande ano para os brancos - com boa fruta, acidez e estrutura.

Também nos tintos há vinhos excelentes, alguns dos quais ao melhor nível de sempre -nomeadamente nas vinhas velhas da Quinta do Vallado.

Os Touriga Nacional e Franca do Douro Superior estão também excelentes.

Para Vinho do Porto, esperam-se vinhos de boa qualidade - sem ser um ano excepcional.

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