Relatório da Vindima

2021

2021 foi um ano com temperaturas amenas e com uma distribuição de chuva atípica em Junho e em Setembro, mas globalmente bom em termos de produção e qualidade das uvas.

Os vinhos brancos são excelentes, cheios de frescura e intensidade de fruta. Os vinhos tintos são também muito bons até às últimas chuvas de Setembro, sendo mais elegantes e frescos do que em anos anteriores.

No final da vindima tivemos vinhos tintos um pouco menos concentrados, mas ainda assim com qualidade média bastante boa.

Precipitação

Apesar de Novembro de 2020 ter sido pouco chuvoso em relação à média, os meses de Inverno seguintes foram normais em termos de precipitação e em Fevereiro choveu bastante, o que permitiu um início de Primavera com água no solo.

Embora a Primavera de 2021 tenha sido classificada pelo IPMA, para Portugal Continental, como muito quente e muito seca, no Douro não existiu uma diferença significativa em relação à média de 30 anos. A precipitação na Primavera concentrou-se em Abril, tendo Maio sido bastante seco.

Em Junho, registou-se grande instabilidade climática, com ocorrência de trovoadas, queda de granizo e ventos fortes, resultando numa grande heterogeneidade na precipitação ocorrida nas diferentes sub-regiões. Assim, enquanto se observou maior precipitação na Régua (+70%) e no Douro superior (+53%), face ao valor histórico, o mesmo não se verificou por exemplo no Cima Corgo, onde choveu -41%.

Em Julho e Agosto não choveu, mas Setembro, o “grande” mês da vindima, começou com chuva: 19,6 mm na Régua e 14,8 mm no Douro Superior entre os dia 1 e 2, deram o mote para um mês de instabilidade climática, com pequenas precipitações de 7 a 9, mas depois com queda de chuva mais intensa a 13 e 14: 21,35 mm na Régua e 64,8 mm no Douro Superior, sendo que á data já tínhamos praticamente concluída a vindima na Quinta do Orgal. Com bons períodos de sol no intervalo, a chuva voltou a cair no período de 23 a 25/9: 17,85 mm na Régua e 29 mm no Douro superior.

Temperatura

A temperatura no Inverno foi acima da média, com destaque para Fevereiro no Douro Superior, acima 2,6ºC do normal. Em Março a temperatura foi normal e durante a Primavera as temperaturas médias até foram inferiores às de 2019 e 2020. Junho manteve a tendência mais amena e principalmente em Julho as temperaturas foram mais suaves do que o normal e inferiores às registadas nos últimos anos. Embora em Agosto a temperatura tenha sido normalmente quente (como habitual na época), não existiram picos de calor com impacto negativo na vinha, nomeadamente escaldão generalizado. Setembro também registou temperatura média inferior à dos últimos anos e inferior à média.

Evolução da Vinha

Neste contexto climático, existiu um adiantamento no abrolhamento de 1 a 2 semanas, mas esse avanço foi diminuindo até ao fecho dos cachos, em grande parte devido ao mês chuvoso e fresco de Junho. No entanto, com o tempo quente e muito seco de Julho e Agosto, mas ainda com alguma água no solo, verificou-se novamente um adiantamento do ciclo em relação ao normal.

Se a expectativa de produção em 2021 já era boa, os dados da vindima confirmaram-na e superaram as previsões iniciais; embora existissem na região algumas parcelas com desavinho, porque a floração decorreu com chuva, ou o vigor foi excessivo como resultado das condições da Primavera, em geral a quantidade de cachos foi normal, mas estes foram de maior tamanho e os bagos também apresentam um peso ligeiramente superior ao dos últimos anos. Quanto a doenças na vinha, a maior preocupação foi o controlo dos oídios tardios, que necessitaram de vigilância até ao pintor, mas genericamente as uvas apresentaram-se muito saudáveis até à fase da vindima.

A vindima começou a 19/8 na Régua com as parcelas de Moscatel e a 25/8 no Douro Superior com os tintos.

Globalmente na região, o impacto da chuva na qualidade das uvas foi significativo: os cachos já eram grandes e pesados e isso agravou a possibilidade de podridões e de alguma diluição, com baixos teores de açúcar e acidez elevada. No entanto na Quinta do Vallado podemos dizer que a vindima correu francamente bem! No Orgal e vinhas do Douro Superior, começamos a vindima bastante cedo e até ao pico de chuva de 13 e 14/9 já tínhamos vindimado mais de 90% da produção, com uvas muito equilibradas e em excelente estado sanitário. Na Régua, a vindima é mais longa e teve de poder acomodar os períodos de chuva existentes, ainda que todas as parcelas de vinhas velhas tenham sido colhidas antes das chuvas.

O bom trabalho de viticultura realizado e a seleção de uvas realizada na colheita e na adega, permitiram a receção de uvas em bom estado sanitário; por outro lado, uma atenção constante aos dados de previsão meteorológica e aos dados de controlo de maturação, permitiram sempre vindimar cada parcela no momento certo e, portanto, conseguimos produzir excelentes vinhos!

Dependendo dos locais, a produção foi superior em relação ao ano passado em 25 a 50%.

João Ferreira Alvares Ribeiro

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